Voltar ao blog
MEI

MEI, CLT ou PJ: qual compensa mais em 2026?

Descubra se vale mais ser MEI, trabalhar com carteira assinada (CLT) ou emitir nota como PJ. Comparativo completo com exemplos reais e calculadora gratuita.

Equipe Bentools13 de julho de 20268 min de leitura
Comparativo entre MEI, CLT e PJ para decidir a forma de trabalho

Você recebeu uma proposta de R$5.000 por mês e agora precisa decidir: aceita como CLT, vira PJ ou abre um MEI? A pergunta parece simples, mas a resposta muda de acordo com o salário, os benefícios, os impostos e o seu jeito de trabalhar.

Não existe resposta certa para todo mundo. Existe a conta certa para o seu caso. Neste artigo você vê os números de cada opção lado a lado, sem enrolação.

O que é cada um

CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)

É o contrato com carteira assinada. A empresa paga FGTS (8% do salário) e INSS patronal (perto de 20%), além de custear férias, 13º salário e, na maioria dos casos, plano de saúde. O salário bruto anunciado na vaga nunca é o que cai na sua conta.

PJ (Pessoa Jurídica sem MEI)

Você abre uma empresa — geralmente uma LTDA ou uma SAS — e emite nota fiscal pelos serviços prestados. A alíquota do Simples Nacional começa perto de 6% para serviços. Não há vínculo empregatício nem benefícios garantidos, e você vai precisar de um contador, que costuma custar entre R$150 e R$300 por mês. Faz mais sentido para quem já fatura acima do teto do MEI.

MEI (Microempreendedor Individual)

É o mais simples dos três. Você paga um DAS fixo todo mês — em 2026, R$82,05 para comércio e indústria, R$86,05 para serviços e R$87,05 para quem mistura os dois. O limite de faturamento é R$81.000 por ano, o equivalente a R$6.750 por mês. Não precisa de contador. É a porta de entrada de quem está começando ou tem uma renda extra.

Já sabe quanto vai pagar de DAS?

Calcule o valor exato do seu MEI e compare com o Simples Nacional em segundos.

Abrir a Calculadora MEI →

Comparativo com um exemplo real

Vamos usar uma proposta de R$5.000 por mês e ver o que sobra em cada regime.

CLT — R$5.000 brutos

  • Desconto de INSS: cerca de R$495
  • Desconto de IR: cerca de R$310
  • Líquido na conta: cerca de R$4.195

Além do líquido, a CLT acumula benefícios que não aparecem no contracheque: FGTS (cerca de R$400 por mês), 13º salário (cerca de R$417 por mês, proporcional) e um terço de férias (cerca de R$139 por mês, proporcional). Somando tudo, o valor mensal "de verdade" passa de R$5.000. Para a empresa, contratar você custa perto de R$7.200 por mês, contando todos os encargos.

PJ — R$5.000 em nota

  • Simples Nacional (Anexo III, cerca de 6%): cerca de R$300
  • Contador: cerca de R$200
  • Líquido aproximado: cerca de R$4.500

Esse líquido não inclui FGTS, 13º nem férias — na PJ, isso não existe. Sem uma reserva própria, um imprevisto ou um mês parado pega você sem rede de proteção. Guardando cerca de 20% do faturamento para cobrir isso, o líquido real cai para perto de R$3.600.

MEI — R$5.000 por mês

  • DAS fixo (serviços): cerca de R$86
  • Sem contador obrigatório
  • Líquido aproximado: cerca de R$4.914

R$5.000 por mês soma R$60.000 no ano — dentro do teto de R$81.000, mas já sem muita folga se o faturamento crescer. Passar do limite significa migrar para o Simples Nacional como ME, com alíquotas maiores e contador obrigatório. Assim como na PJ, também não há 13º, férias pagas nem FGTS.

Olhando só os números, o MEI parece o grande vencedor. Mas a CLT entrega uma rede de proteção — FGTS, férias, 13º, estabilidade — que MEI e PJ precisam construir sozinhos, mês a mês, com disciplina.

Quando cada um faz sentido

Escolha CLT quando...

  • a empresa oferece um bom pacote de benefícios (plano de saúde, VR, VT);
  • você valoriza estabilidade e direitos trabalhistas garantidos;
  • está começando a carreira e prefere lidar com menos burocracia.

Escolha MEI quando...

  • seu faturamento fica abaixo de R$81.000 por ano;
  • quer o mínimo de burocracia possível, sem contador;
  • está testando um negócio ou tem uma renda complementar.

Escolha PJ quando...

  • seu faturamento já passou do teto do MEI;
  • o cliente exige nota de uma empresa, e não de um MEI;
  • você tem despesas do negócio que podem ser deduzidas.

Vai fechar negócio com uma empresa ou virar PJ de um cliente?

Consulte a situação cadastral, os sócios e a atividade principal de qualquer CNPJ antes de assinar.

Abrir o Analisador de CNPJ →

O que os números não mostram

A CLT dá uma segurança difícil de medir em planilha: o salário cai todo mês, o FGTS acumula sozinho e as férias vêm sem esforço nenhum. MEI e PJ trocam essa segurança por liberdade — de horário, de clientes, de como organizar o trabalho. Nenhuma das duas opções é melhor fora do seu contexto.

Quem vira MEI ou PJ também assume um trabalho invisível: guardar dinheiro para os meses fracos, emitir nota, declarar imposto, decidir se vale a pena contratar um contador. Isso tem custo — de tempo e de disciplina — mesmo quando não aparece em nenhuma linha da conta.

Conclusão

Comece pelo faturamento: dentro do teto do MEI, o MEI costuma vencer pela simplicidade. Passou do limite, a PJ entra em cena. E se a empresa paga bem em benefícios, a CLT pode ganhar quando você soma tudo — não só o salário líquido. Use as calculadoras da Bentools para rodar essa conta com os seus próprios números, não com uma média genérica da internet.

Perguntas frequentes

Artigos relacionados